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BUUMBAR

Lugar amplo, cadeiras, mesas e um ventilador de teto.

 

Um homem, camisa social, olhar cansado; em sua mão direta descansa, quase como um apoio, num copo de cerveja.

 

Arranjos de flores: amarelas, brancas; sempre bem cuidadas.

 

Duas mulheres, uma conversa animada, mais uma mentira inocente sobre algo que nunca aconteceu.

 

Aquário ao fundo, peixes coloridos habitam um navio naufragado.

 

Um casal, olhares apaixonados, beijos molhados, mãos sobre as coxas que o vestido curto deixou descoberto.

 

Paredes de tijolos, vigas de madeira escura.

 

 Uma senhora, jóias caras que nalgum dia tiveram um grande glamour, uma pose que anos atrás seduziria jovens incautos.

 

Jukebox troca o disco.

 

 As crianças vasculham o vão entre o balcão à procura de algum tesouro escondido.

 

Luzes vermelhas piscam BUUMBAR.

 

Um garçom anda com pressa para entregar um pedido atrasado.

 

Labaredas sobem de um prato flambado.

 

O cozinheiro reclama do calor.

 

O gás está vazando.


Devaneios Aleatorios

Devaneios Aleatorios

Sol, vento, cabelos esvoançando
negros como a noite, noite, calma
clamando sempre por mais
mais… do que?
violencia, medo, amor
qual a diferença desses sentimentos
e da dor?
Um homem anda sozinho
procura, caça, se esconde
nunca encontra
no calor frio da cidade distante
vagando como um errante
nada lhe parece fazer sentido
Mas em meio a esses devaneios aleatorios
ele sabe que não é apenas mais um
todos vagam sem direção
fazendo suas escolhas em meio a um caos de possibilidades
destino sendo traçado
loucura passageira, torna-se permanente
se pudesses mudar o passado nunca sairia do presente
Mas oque dizer agora,
se lá fora a chuva começa a cair
sozinho cansado, molhado
estou só mas posso ver os outros
nao leio seus pensamentos
mas posso ver suas angustias
como petalas mortas
em um mar em furia