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Eu perguntei para o velho se ele queria morrer (e outras estórias de amor)

 

Em minha última viagem, como de praxe, resolvi passar em uma livraria, desta vez na rodoviária. Dentre várias opções de best-seller e outros livros mais eu encontrei em um canto uma prateleira com vários livros a preços convidativos, e me propus a comprar um bom livro gastanto a menor quantia em dinheiro. Meus olhos encontraram em sua primeira vista um livro que me chamou atenção pelo título: “Eu perguntei para o velho se ele queria morrer”, de um autor para mim desconhecido (José Rezende Jr.). Ao preço de 5 dinheiros fui levado a um outro mundo com sua literatura, que, no conjunto de contos, um me chamou a atenção e aqui segue:

Quase nada

A mulher destoa da paisagem. As coisas, os bichos magros, as coisas desmilinguidas, tudo é cor de poeira. A mulher também tem cor de poeira, mas as flores estampadas no vestido destoam da paisagem. Na paisagem não há flores, não há chuva para as flores, a pouca chuva que chove, quando chove, serve às gentes e ao que se come. Por isso as flores no vestido da mulher destoam tanto de tudo, cheiram a desperdício. De tempos em tempos a mulher passa a língua quase seca pelos lábios ressequidos, sem tirar os olhos do nada. Fora esse gesto, a mulher não se move, não se moveria sequer para espantar as moscas, caso houvesse, mas não há moscas, nada voa, anda ou rasteja. Tudo é aridez e imobilidade. Só a mala aos pés da mulher serve de lembrança, a vaga lembrança, de que nalgum lugar, nalgum tempo, longe, muito longe, existe vida em movimento.

O homem é quase a paisagem. Formam o homem e paisagem um conjunto coeso, árido. Tem o rosto e as roupas tão cor de poeira antiga que os passantes, se por ali alguém passasse, sequer distinguiriam o homem da paisagem. Mas o homem não faz mesmo questão de ser visto. Mimetismo sertanejo: camuflado na secura, o homem também é seco, o homem só não é todo ele a própria paisagem porque a paisagem é estática, nela nada se move, não há vento, falta oxigênio, as pessoas, a plantação e os bichos respiram o mínimo necessário, a vida se economiza; a morte não. O homem só não é todo ele a paisagem porque a paisagem é estática, enquanto ele, o homem, movimenta uma das mãos, a que afia a faca na pedra. O movimento é quase imperceptível, a mão se move como se não se movesse, é mínima a diferença entre o movimento da mão do homem e a imobilidade do tempo. Nada tem pressa. Nem a mulher que vai embora.

É pequena a distância entre os dois seres semi-inanimados, a mulher que vai embora e o homem que fica. A mulher, acocorada à beira da estrada de chão, à espera. O homem, à porta do casebre de taipa, outra espera. A casa é pequena, o teto de palha é muito baixo, mas a gente que ali vive é uma gente pequena, não carece de mais espaço, nem de altura. A distância entre o terreiro do casebre de pau-a-pique, onde o homem espera , e a beira da estrada de terra, onde a mulher espera, também é pequena, tão pequena que a vista alcança. Do lugar onde afia a faca o home avista a mulher, ela de costas, o vestido estampado com flores supérfluas destoando da paisagem. De frente para a estrada, mas de costas para a casa, a mulher não vê o homem. Também não se viam muito quando frente a frente, mas agora que a mulher vai embora fica no ar, além do silêncio, da poeira e do paradeiro do mundo, um gosto amargo de tempo morto.

A mala aos pés da mulher é antiga; mais que antiga, é velha. À falta de móveis na casa, era ela quem servia de mesa, ou, antes, de um aparador para coisas inexistentes, visto que por ali quase não existiam coisas. Agora, assim, aos pés da mulher, na beira da estrada, na véspera da viagem, a mala retorna à serventia original. Mas é grande demais, pesada demais para o quase nada que a mulher pequena e magra leva embora consigo. A mulher tem dois vestidos cor de poeira, e ambos flutuam dentro da mala grande e vazia; o terceiro, de festa, estampado de flores, é sua roupa do corpo na hora em que vai embora. A mulher quase se arrepende, antes fizesse uma trouxa, menor, mais leve, condizente com seu tipo físico e a bagagem pouca, deixasse a mala para trás, à guisa de mesa.Ganhariam a mulher, pela economia de esforço, e o homem, pela manutenção do mobiliário parco, mas “ganhar” é verbo tão irregular que nenhum dos dois conjuga. A mulher vai embora com a mala pesada e não se torna mais rica por isso; o homem é que fica mais pobre, sem a mesa onde pousar objeto nenhum, a não ser os cotovelos que sustentam a cabeça pesada.

Nenhuma nuvem, nenhum sinal de chuva nem agora nem para o ano. Assim tão azul, o céu é como se fosse o inferno.

Sentado no terreiro, olhando para a estrada, o homem está de frente para as flores do vestido da  mulher, mas de costas para a casa e, portanto, para o retrato na moldura oval que enfeita o único cômodo da casa. O retrato foi tirado em preto-e-branco, mas o homem e a mulher deixaram-se colorir pela mão do fotografo viajante, num dia muito antigo. O homem não vê, talvez nem se lembre, mas o vestido de festa da mulher que vai embora é o mesmo que veste a mulher da moldura oval. O homem do retrato usa terno, mas é um terno de mentira, inventado pela mão do fotógrafo-artista.  O home de verdade nunca teve terno, foi preciso que o retratista pitasse sobre o dorso desse homem uma roupa de festa. Já o vestido da mulher do retrato existiu, existe, é real, é a sua roupa do corpo na hora em que vai embora. Mas reparando bem, caso alguém reparasse, há uma leve diferença no tom das flores. Ao manusear o pincel de pelo de cabra, o pintor foi fiel às flores do vestido, mas as flores do vestido verdadeiro hoje estão mais vivas ( tão vivas que destoam da paisagem ), talvez porque, exposto ao tempo, o retrato envelheceu e as flores da pintura desbotaram. Já o vestido verdadeiro, com suas flores, ao contrário, continuam intacto, de tão guardado para tantas festas inacontecidas.

A faca tem cabo de madeira boa; a lâmina relampeia, ofende as vistas de tão afiada. Inútil afia-la mais do que isso, mas o homem insiste, persiste,  num ritmo quase imóvel. A pedra onde o homem afia a faca é áspera, faz bem ao gume da lâmina. As manchas antigas de sangue retratam a outra serventia da pedra: na falta de árvore onde pendurar e imolar os bodes, porque a ultima árvore seca virou lenha para cozinhar quase comida nenhuma, o homem deita o bicho na pedra e o degola com a lâmina que a mesma pedra afiou. Mas já não há bodes a serem mortos; faz tempo, o homem matou a ultima criação, da criação só restou o sangue antigo impresso na pedra. Mesmo assim o homem insiste, persiste, afia a lâmina da faca, move a mão contra a paisagem estática talvez apenas para não ser, todo ele e de uma vez por todas, a própria paisagem árida.

A mulher passa a língua quase seca pelos lábios ressequidos. A mulher tem sede e os olhos postos sobre o nada. O vazio. Não olha para trás, mas sabe que atrás de si, a uma distância de quase nada, há um homem sentado à porta da casa, e que atrás desse homem existe um outro homem ( e no entanto o mesmo ) trajando um terno inventado, e ao lado desse homem uma mulher vestida de flores desbotadas, os dois, a mulher e o homem, imitando felicidade numa moldura oval. A distância entre o homem e a mulher verdadeiros, tão pequena, é imensa: a mulher a beira da estrada; o homem a beira do abismo. A mulher não olha para trás, mas pressente o homem, escuta o barulho áspero da faca contra a pedra. O barulho, de tão cadenciado, já faz parte do silêncio.

Num repente o silêncio se cala. O motor troveja, o ônibus velho cobre a paisagem com uma nuvem demorada de fumaça e mais poeira. A nuvem veste a mulher e o vestido, até as flores do vestido. Tudo agora é cor de poeira. A mulher já não destoaria da paisagem, se ainda fizesse parte da paisagem.

O homem ouve o ônibus cada vez mais perto, engole a fumaça, vê a nuvem de poeira vestindo a mulher, ouve o ônibus cada vez mais longe, vê a poeira acalmar-se, acomodando-se de novo e aos poucos à paisagem inerte. Mas a paisagem agora é outra, ainda mais árida, ainda mais vazia sem a mulher que foi embora. O homem para de afiar a faca na pedra manchada de morte, escuta o derradeiro estalido da ultima lenha que crepitava no fogão. Tudo agora é silêncio, poeira imobilidade. Só a pedra respira

 

 

 

 

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Sério Mesmo? Analisando Músicas

Sabem aquelas músicas românticas que os casais da namorados vivem cantarolando, pois é a sequência de post “Sério Mesmo?” vem analisar a fundo essas canções.

Chega de papo, vamos a uma música clássica de reconquista:

“Nada pra mim – Ana Carolina”

O título já nos vem evidenciado oque encontraremos a seguir: uma pessoa que está abdicando de tudo por um motivo maior, uma música que falará sobre o ato de doar, sobre altruísmo…

“Eu não vim aqui
Pra entender ou explicar
Nem pedir nada pra mim
Não quero nada pra mim…”

Nossa querida Ana já chega de supetão, sem nem organizar as idéias, falando que não veio nem pra entender muito menos pra explicar, bem deve ter feito besteira, e nem para pedir nada; e fazendo um leve drama conclui, “não quero nada pra mim”. Isso me faz questionar o PORQUE dela ter vindo ou se está alcoolizada.

“Eu vim pelo que sei
E pelo que sei
Você gosta de mim
É por isso que eu vim…”

Já ouvi dizer que eu sou convencido, mas sinceramente. A mulher já está toda errada e em vez de dizer eu te amo diz: “Sei que você gosta de mim!”. Muito me lembra a célebre frase de Han Solo…

“Eu não quero cantar
Pra ninguém a canção
Que eu fiz pra você
Que eu guardei pra você…”

Então não cante, não grave um CD e lance a música pra vender discos e ganhar dinheiro! Tenho a leve impressão que ela está enrolando MUITO pra realmente falar ‘oque que está pegando’.

“Pra você não esquecer
Que eu tenho um coração
E é seu!”

Nesta hora o sujeito já está mais que confuso, assim como você leitor, sobre as intenções da mulher. Ela  não quer nada, só dizer que você a ama, ou tentar te convencer disso, fez uma musiquinha no melhor estilo cartinha de amor da quinta série e agora está dizendo por fim que lhe ama… aí tem coisa!

“Tudo mais que eu tenho
Tenho tempo de sobra”

Tempo de sobra você tem mesmo, agora o cara eu não sei se tem pra ficar ouvindo esse papo sem sentido.

“Tive você na mão
E agora tenho só essa canção”

Rááá, está aí toda a explicação: Ana teve um grande amor, fez uma grande besteira, está arrependida e pretende reconquistar o que ela pensa ser sua alma gêmea.

Atentemos a: ~tive você na mão~. Deve ter feito gato e sapato do pobre sujeito, pintado e bordado e todos os ditados que não consegui lembrar; querendo agora, sem nem pedir perdão, que ele volte. Olha, faz bem o pobre Juquinha ficar longe de uma doida como você.

Ana… PASSAR BEM! (mal)


Tudo péssimo ou tudo ótimo?

Olhem eu aqui pensando na vida de novo, e me veio aquela velha vontade de compartilhar meus pensamentos com as pessoas, mas sabe como é nem sempre se tem tempo e disposição para tal. Então deixo aqui meus rabiscos:

Incrível como ainda me surpreendo, ainda hoje, com a necessidade constante que as pessoas têm de recriminar e julgar mal os outros por pequenos fatos sem nem ao menos conhecê-los e saber se esta é uma atitude intrínseca ou não. Vejamos: Você está conversando com seu grupo de amigos e resolve comentar sobre algo que conseguiu, ai começam a te olhar torto como se estivesse se gabando e passam à procurar defeitos e falar mal de alguma forma. Em certo ponto você nem sabe mais se o seu feito foi algo realmente digno de nota e resolve deixá-lo de lado porque até para você, ele se tornou insignificante. Fico teorizando o porquê dessa atitude defensiva/ofensiva em relação às vitorias alheias: talvez seja pela frustração da pessoa de não conseguir alcançar o que almeja e tenta tirar do outro esse sentimento de conquista.

É nessa hora que começamos a repassar mentalmente todas as vezes que isso ocorreu em nossas vidas e nem percebemos, pois é caro cidadão de bem isso já aconteceu com você e certamente já fizeste com outros. Mas o que eu venho criticar aqui não é a pessoa em si, mas a necessidade da sociedade em ser mais forte do que o individuo. Em contrapartida temos uma necessidade cada vez mais crescente de buscarmos reconhecimento, transformando isso em um ciclo vicioso. Faça qualquer coisa, e sempre vai ter alguém pra dizer que é ruim. É a famosa história do velho, do menino e do jumento: se o velho monta no jumento, é explorador porque a criança fica a pé, se a criança fica em cima do jumento, é desrespeitosa porque o velho está cansado, se os dois botam o jumento nas costas, são burros porque um deles poderia ir montado.

Vários assuntos surgem na minha mente e me lembro de outro estereótipo facilmente encontrado nos dias de hoje: aquela pessoa que elogia tudo. O texto que você fez pode estar uma porcaria mas ela está dizendo que foi a melhor coisa que leu na vida, a comida que preparou ta mais insossa que arroz de hipertenso, mas lógico para ela está uma maravilha. Dando uma de psicólogo, me atrevo dizer que isto é uma necessidade de aceitação em um grupo ou de uma pessoa em particular, e não sabendo como se portar prefere dizer que está tudo muito lindo, tudo muito legal.

Creio que todos nós temos um pouco desses esteriótipos e , dependendo da situação, pendemos para um lado,  mas normalmente sem extremos.

Escrito por Allan Miotto e contribuição de Marcos Cordeiro


Adeus disse ele, Adeus disse a raposa

”E foi entao que apareceu a raposa:
– Bom dia, disse a raposa.
– Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas nao viu nada.
– Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira…
– Quem es tu? Perguntou o principezinho.
Tu es bem bonita…
– Sou uma raposa, disse a raposa.
– Vem brincar comigo, propos o principezinho. Estou tao triste…
– Eu nao posso brincar contigo, disse a raposa. Nao me cativaram ainda.
– Ah! Desculpa, disse o principezinho.
– Apos uma reflexao, acrescentou:
– Que quer dizer cativar?
– E uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Tu nao es ainda para mim senao um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu nao tenho necessidade de ti. E tu nao tens necessidade de mim. Nao passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nos teremos necessidade um do outro. Seras para mim unico no mundo. E eu serei para ti unica no mundo…
…Mas a raposa voltou a sua ideia.
– Minha vida é monotona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem tambem. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida sera como cheia de sol.
Conhecerei um barulho de passos que sera diferente dos outros . Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamara para fora da toca, como se fosse musica. E depois, olha! Ves, la longe, os campos de trigo? Eu nao como pao. O trigo para mim é inutil. Os campos de trigo nao me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Entao sera maravilhoso quando tiveres me cativado. O trigo, que é dourado fara lembrar- me de ti.
E eu amarei o barulho do vento no trigo…
E a raposa calou-se e considerou por muito tempo o principe:
– Por favor… cativa-me! Disse ela.
– Bem quisera, disse o principezinho, mas nao tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
– A gente so conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens nao tem tempo de conhecer coisa alguma.
Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como nao existem lojas de amigos, os homens nao tem mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
– Que é preciso fazer? Perguntou o principezinho.
– É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentaras primeiro um pouco longe de mim, assim na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu nao diras nada. A linguagem é uma fonte de mau-entendidos.
Mas, a cada dia, te sentaras mais perto…
No dia seguinte o principezinho voltou.
– Teria sido melhor voltares a mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, as quatro da tarde, desde as tres eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu sentirei feliz. As quatro horas, entao, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade!
Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração… É preciso ritos …
… Assim o principezinho cativou a raposa.
Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
– Ah! Eu vou chorar.
– A culpa é tua, disse o principezinho, eu nao queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse…
– Quis, disse a raposa.
– Mas tu vais chorar! Disse o principezinho.
– Vou, disse a raposa.
– Entao, não sais lucrando nada!
– Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
– Vai rever as rosas. Tu compreenderas que a tua é unica no mundo. Tu voltaras para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.
Foi o principezinho rever as rosas:
– Vos nao sois absolutamente iguais a minha rosa, vos nao sois nada ainda.
Ninguem ainda vos cativou, nem cativaste a ninguem. Sois como era minha raposa. Era uma igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Agora ela é unica no mundo.
E as rosas estavam desapontadas.
– Sois belas, mas vazias, disse ele ainda.
Nao se pode morrer por vos. Minha rosa, sem duvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é porem mais importante que vos todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob uma redoma. Foi a ela que eu abriguei com o paravento. Foi dela que eu matei as larvas ( exceto duas ou tres borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar- se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.
E voltou, entao, a raposa:
– Adeus, disse ele…
– Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo.
É muito simples: so se ve bem com o coracao. O essencial é invisivel para os olhos.
– O essencial é invisivel para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
-Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que fez tua rosa tao importante.
-Foi o tempo que perdi com a minha rosa… repetiu o principezinho a fim de se lembrar.
– Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu nao deve esquecer.
Tu te tornas eternamente responsavel por aquilo que cativas. Tu es responsável pela rosa…
– eu sou responsavel pela minha rosa… repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
Sinto-me responsavel por todos aqueles que eu cativei, ou que me cativaram. Isso é facil? Nao. Por vezes deixo de cuidar bem de cada um, com carinho e atençao que merecem. Mas cada amigo é para mim algo inestimavel. É a grande oportunidade de aprender e de crescer como pessoa. Ha pessoas que sao um equivoco, que talvez eu nao soubesse cativar, ou que talvez eu reconhecesse nelas as minhas fraquezas e defeitos, e sendo assim eu descartei, deixei de lado de uma vez. Outras o tempo e espaço separaram, mas sao como o trigo para mim, uma simples recordaçao me remete aos bons momentos juntos. Eu amo todos que me cercam. Gostaria que todos soubessem, caso eu nao tenha dito. As palavras, as vezes ficam travadas em nossa garganta, simplesmente nao saem. Mas quando me encontrar, saiba que é com um grande abraço que retribuirei tua amizade.”