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Entre nós

Não gosto de sair de casa, prefiro meus livros às pessoas, me perder em meus pensamentos. O telefone toca, me contam que talvez você vá à festa de hoje a noite, faz tempo que não te vejo, que não te observo secretamente. Coração acelera, as pernas tremem. Me arrumo em um pulo, você nunca reparou em mim mesmo. Chego cedo, estudo o lugar. Gosto de observar as coisas. Noto você chegando, aquela cara de bobo que adoro, carinha de quem está sempre perdido. Disfarço, puxo papo com alguém. Te fito discretamente.

 

Encontro-te na festa: linda, vestido azul comportado, sorrindo com umas meninas. Reparo nos seus olhos, boca, seu jeito que sempre gostei. De assalto me vem a lembrança de um sonho: nós dois cara a cara, o silêncio constrangedor que surge quando o assunto acaba, quando a vontade transpira, você tão perto e eu tão distante, o nosso olhar… uma eternidade.

 

Apenas sorrio, como se estivesse entretida com a conversa, mas sorrio de você, tão deslocado quanto eu. Talvez fosse interessante te conhecer, por um instante tocar sua mão, sentir de perto o perfume. Volto para a conversa.

 

Preciso de uma cerveja, algo para ficar na mão, desisto no meio do caminho, quero um cigarro, um whisky, quero sentar. Saí de casa sem propósito, queria espairecer, te encontrar me deixou perdido. Acendo um cigarro (se importa que eu fume?), apago o cigarro. Olho para o céu, nenhuma estrela, falta inspiração, na verdade coragem, para falar com você.

Respiro fundo, levanto (não penso) e vou caminhando ao seu encontro (o que estou fazendo?). Olhos decididos, nada a perder.

 

Lá vem você (em minha direção?), olho em volta, peço licença (me sinto zonza).


A tão temida FRIEND ZONE

Acho que palavra alguma causa mais temor em um homem sexualmente ativo, e inativo principalmente, que friendzone. Para aqueles que desconhecem o significado, mas devem já devem ter sentido seus efeitos, Friendzone é:

Ter um nível de amizade tão grande com a pessoa com a qual está interessado que qualquer aproximação libidinosa está fora de cogitação.


Este fenômeno, apontam estudos, acontece muito mais com os homens, e é sentido na pele com a celebre frase: Mas nós somos amigos. Frase usada muitas vezes como desculpa esfarrapada para não machucar alguém ao se dar um fora e, neste momento, aceite-a porque a verdade pode ser bem pior.

Existem pessoas que entram instantaneamente na zona de amizade, o que seria um feito invejável caso desejasse ser apenas amigo, mas partindo do pressuposto que não é, tentarei traçar um perfil e discorrer como não cair nesta cilada.

O bobo: Você é o tipo de pessoa mais engraçada da roda de amigos, todos riem do que você fala, de como gesticula ou apenas faz papel de palhaço. Com certeza já ouviu que mulher gosta de homens divertidos, mas se isso é a única coisa que sabe fazer ou a sua principal qualidade, provavelmente não ficará com ninguém.

O sem iniciativa: Você é afim da menina que é afim de você mas nenhum dos dois toma a iniciativa. Ficam esperando o melhor momento, quando ele chega não conseguem aproveitar e fica aquele clima de constrangimento, arrastam essa situação por tanto tempo que um dos dois perde o interesse ou se cansa.

O conselheiro: Tipo de pessoa que está sempre ao lado para escutar sobre aquele menino que ela está apaixonada, sobre o ex namorado cafajeste ou sobre a amiga fura olho. Acaba-se criando um vinculo de confidências no qual não vejo mais possibilidade alguma de rolar algum clima favorável.

O paga pau: Também conhecido como ‘Rei do elogio’, o paga pau evita ao máximo falar qualquer coisa que desagrade seu alvo, vive cobrindo-a de elogios e concordando com as maiores besteiras já ditas por um ser humano. Perde justamente por não ser desafio algum sua conquista, tendo uma chance somente em um momento de baixa estima, sendo tratado como um brinquedinho.

Bom, acho que fui um pouco presunçoso ao dizer que lhes ensinaria como sair dessas situações, mas acredito que devas fazer uma escolha: ou se contenta com a condição de amigo e é feliz assim; ou mude o modo de agir e tente uma abordagem mais favorável.


18° aqui fora

Um dia minha amiga Mari, ex(?) redatora do malvadas.org, me contou que escrevia contos eróticos, por sinal muito bons, e perguntou se eu não tinha vontade de escrever. Nunca havia tentado, porém aceitei o desafio no dia 06 de novembro de 2010. O texto tomou um rumo diferente do esperado, contudo eu gostei muito. Apesar de não ter a mínima ideia do que irá virar caso dê prosseguimento, gostaria de compartilhar com vocês meu esboço:

18° aqui fora

Quinta, 19:40, chego em casa cansado do trabalho, planos para noite são as 6 cervejas que comprei no mercado e o meu querido sofá, uma Tv para distrair. Telefone toca, tiro-o do gancho sem a menor pretensão de alguém salvar a minha noite, uma voz feminina, triste – Quem bom que está em casa… – Silêncio. – Oi, quem é? – Um breve silencio, um soluço e a resposta – Aparece na janela, veja se ainda lembra de mim.

Ainda confuso e com a cerveja recém aberta em mãos vou para a janela, antes uma olhada no espelho, um sorriso ensaiado e uma crescente preocupação com aquela voz ligeiramente melancólica. Surjo no 3º andar, vento frio bate no peito nu, lá embaixo uma garota, cabelos loiros, vestido vermelho, em uma das mãos uma garrafa de champagne na outra as chaves do carro, um sorriso envergonhado e ao mesmo tempo suplicante. Ela me lembra muito uma garota do colégio, caramba, qual o nome? Anos que não a vejo, desde… – Heeeey, você nem lembra de mim, né?- Ela se vira rapidamente e começa a ir embora, andar arrastado. Fico alguns segundos parado, perplexo, grito algo como -Me espera – e saio correndo pelas escadas para encontra-la antes que se vá. Alcanço-a quando está para abrir a porta do carro, New Beetle preto. Puxo levemente seu braço, pele macia, cor alva, ela sem dizer nada me dá um abraço forte. Sinto seu perfume levemente doce e delicado, afago seus cabelos. Ela se afasta preguiçosamente de mim, dá um sorriso e me rouba um beijo; agora eu me lembro, tivemos um rolo no 2º ano, nada sério, eu estava querendo curtir a vida e ela querendo um relacionamento, preferi não machucá-la e me afastei.

– Oi, a quanto tempo? Realmente uma surpresa te ver.

– É, acho que uns 6 anos né? Pelo visto ainda mora na mesma casa.

– Sempre gostei desse bairro, não quer entrar?

– Pode ser, e você não está em trajes para uma noite como essa; caramba deve estar fazendo uns 18º aqui fora.

Ofereço meu braço para ela, tomo uns goles de cerveja e converso umas amenidades, até chegarmos no apartamento.

[…] talvez continue no próximo episódio


Sério Mesmo? Analisando Músicas

Sabem aquelas músicas românticas que os casais da namorados vivem cantarolando, pois é a sequência de post “Sério Mesmo?” vem analisar a fundo essas canções.

Chega de papo, vamos a uma música clássica de reconquista:

“Nada pra mim – Ana Carolina”

O título já nos vem evidenciado oque encontraremos a seguir: uma pessoa que está abdicando de tudo por um motivo maior, uma música que falará sobre o ato de doar, sobre altruísmo…

“Eu não vim aqui
Pra entender ou explicar
Nem pedir nada pra mim
Não quero nada pra mim…”

Nossa querida Ana já chega de supetão, sem nem organizar as idéias, falando que não veio nem pra entender muito menos pra explicar, bem deve ter feito besteira, e nem para pedir nada; e fazendo um leve drama conclui, “não quero nada pra mim”. Isso me faz questionar o PORQUE dela ter vindo ou se está alcoolizada.

“Eu vim pelo que sei
E pelo que sei
Você gosta de mim
É por isso que eu vim…”

Já ouvi dizer que eu sou convencido, mas sinceramente. A mulher já está toda errada e em vez de dizer eu te amo diz: “Sei que você gosta de mim!”. Muito me lembra a célebre frase de Han Solo…

“Eu não quero cantar
Pra ninguém a canção
Que eu fiz pra você
Que eu guardei pra você…”

Então não cante, não grave um CD e lance a música pra vender discos e ganhar dinheiro! Tenho a leve impressão que ela está enrolando MUITO pra realmente falar ‘oque que está pegando’.

“Pra você não esquecer
Que eu tenho um coração
E é seu!”

Nesta hora o sujeito já está mais que confuso, assim como você leitor, sobre as intenções da mulher. Ela  não quer nada, só dizer que você a ama, ou tentar te convencer disso, fez uma musiquinha no melhor estilo cartinha de amor da quinta série e agora está dizendo por fim que lhe ama… aí tem coisa!

“Tudo mais que eu tenho
Tenho tempo de sobra”

Tempo de sobra você tem mesmo, agora o cara eu não sei se tem pra ficar ouvindo esse papo sem sentido.

“Tive você na mão
E agora tenho só essa canção”

Rááá, está aí toda a explicação: Ana teve um grande amor, fez uma grande besteira, está arrependida e pretende reconquistar o que ela pensa ser sua alma gêmea.

Atentemos a: ~tive você na mão~. Deve ter feito gato e sapato do pobre sujeito, pintado e bordado e todos os ditados que não consegui lembrar; querendo agora, sem nem pedir perdão, que ele volte. Olha, faz bem o pobre Juquinha ficar longe de uma doida como você.

Ana… PASSAR BEM! (mal)


Internet e Relacionamentos

Estava pensando outro dia, mais precisamente ontem, sobre como a internet e os meios de comunicação tem o poder de distanciar as pessoas. Isso mesmo: distanciar.

Acredito que a capacidade que ela possui de aproximar as pessoas todos nós já percebemos ou conhecemos. Quando temos alguém especial que mora longe, através dela nos mantemos ” a par” dos acontecimentos e relembramos velhas historias. O mesmo acontece com o telefone, que propicia uma conversa mais rápida sem o “delay” na resposta e ainda é muito usado, apesar da supremacia da internet.

Agora o que muitos não percebem é o fator distanciador desses meios de comunicação. Antigamente, quando não tínhamos nada disso, pelo menos a internet, éramos mais próximos dos nossos amigos, sempre marcávamos saídas de fim de tarde ou encontros na casa de alguem. Isso vem se perdendo por conta dos orkuts e “msn’s” da vida. O sentimento de saudade é falsamente suprido pelo contato virtual, mascarado e jogado em algum canto escuro.

Em suas “bolhas” as pessoas se distanciam das outras mas, mantendo a impressão de ainda estarem contidas em algum meio social, elas gastam boa parte do tempo nesta auto-ilusão, seja por medo de frustrar-se, timidez, ou não ser aceito em determinado grupo.

Podemos perceber vários casos de pessoas que tem dificuldades de comunicação e de relacionamento por que não tem o costume de se comunicar pessoalmente. Poderia ser esse um grande problema a ser encarado pelos psicólogos no futuro? Eu aposto que sim.


Perfeição

Perfeição. Algo que é perseguido por todos, mas acho deveras estranho o modo como definem isso:

-Algo sem defeito
-Completo
-Que não necessita ser mudado

Para mim, algo perfeito é o que se ajusta exatamente ao que desejamos. Por exemplo: uma roupa perfeita é aquela que cai bem no seu corpo, que é bonita e passa uma imagem sobre quem você é. Porem, julgo a perfeição variável porque essa mesma roupa, no outro dia, pode não lhe transmitir a mesma impressão. Ela foi perfeita naquele momento.

Necessário essa pequena explanação para chegar realmente no ponto que me interessa: Relacionamentos e perfeição.

Como é de praxe, sempre se conversa sobre o par perfeito e tal; e a maioria das pessoas começa enumerando várias qualidades físicas e posteriormente as psicológicas, assim como tendem a descrever uma pessoa com os gostos os mais parecidos possíveis com os seus. Neste momento que chego eu, o cara que é sempre “do contra”, dizendo que a mulher perfeita é imperfeita, por mais contraditório que isso pareça ser.

Por mais detalhistas que possamos ser em nossa descrição a perfeição sempre soa, para mim, enfadonha e previsível. A perfeição está justamente na duvida, na surpresa, em algo que não podemos controlar. Me lembro agora das palavras da minha amiga Danielle, dizendo que nos apaixonamos pelas pessoas por seus defeitos. Nunca havia percebido o quão certa ela estava. Quantas vezes não nos pegamos pensando justamente naquela pessoa que fica nos enchendo o saco o dia inteiro, que sempre tem uma brincadeira irritante e fica nos provocando raiva. Certamente esses “defeitos” não entrariam em nossa lista de “coisas perfeitas”, mas são eles que dão o ar da graça em nossa vida.