18° aqui fora


Um dia minha amiga Mari, ex(?) redatora do malvadas.org, me contou que escrevia contos eróticos, por sinal muito bons, e perguntou se eu não tinha vontade de escrever. Nunca havia tentado, porém aceitei o desafio no dia 06 de novembro de 2010. O texto tomou um rumo diferente do esperado, contudo eu gostei muito. Apesar de não ter a mínima ideia do que irá virar caso dê prosseguimento, gostaria de compartilhar com vocês meu esboço:

18° aqui fora

Quinta, 19:40, chego em casa cansado do trabalho, planos para noite são as 6 cervejas que comprei no mercado e o meu querido sofá, uma Tv para distrair. Telefone toca, tiro-o do gancho sem a menor pretensão de alguém salvar a minha noite, uma voz feminina, triste – Quem bom que está em casa… – Silêncio. – Oi, quem é? – Um breve silencio, um soluço e a resposta – Aparece na janela, veja se ainda lembra de mim.

Ainda confuso e com a cerveja recém aberta em mãos vou para a janela, antes uma olhada no espelho, um sorriso ensaiado e uma crescente preocupação com aquela voz ligeiramente melancólica. Surjo no 3º andar, vento frio bate no peito nu, lá embaixo uma garota, cabelos loiros, vestido vermelho, em uma das mãos uma garrafa de champagne na outra as chaves do carro, um sorriso envergonhado e ao mesmo tempo suplicante. Ela me lembra muito uma garota do colégio, caramba, qual o nome? Anos que não a vejo, desde… – Heeeey, você nem lembra de mim, né?- Ela se vira rapidamente e começa a ir embora, andar arrastado. Fico alguns segundos parado, perplexo, grito algo como -Me espera – e saio correndo pelas escadas para encontra-la antes que se vá. Alcanço-a quando está para abrir a porta do carro, New Beetle preto. Puxo levemente seu braço, pele macia, cor alva, ela sem dizer nada me dá um abraço forte. Sinto seu perfume levemente doce e delicado, afago seus cabelos. Ela se afasta preguiçosamente de mim, dá um sorriso e me rouba um beijo; agora eu me lembro, tivemos um rolo no 2º ano, nada sério, eu estava querendo curtir a vida e ela querendo um relacionamento, preferi não machucá-la e me afastei.

– Oi, a quanto tempo? Realmente uma surpresa te ver.

– É, acho que uns 6 anos né? Pelo visto ainda mora na mesma casa.

– Sempre gostei desse bairro, não quer entrar?

– Pode ser, e você não está em trajes para uma noite como essa; caramba deve estar fazendo uns 18º aqui fora.

Ofereço meu braço para ela, tomo uns goles de cerveja e converso umas amenidades, até chegarmos no apartamento.

[…] talvez continue no próximo episódio

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